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Empreender, é na faculdade que se aprende

Paulo Roberto Moura*

15/11/07 - A cultura do empreendedorismo, como alternativa viável para a nossa juventude, está começando a ser tratada com a seriedade que o tema merece.

Historicamente, o Brasil não enxerga em empresários exemplos a serem seguidos, apesar do papel fundamental que exerceram e ainda têm na construção deste país. Um exemplo é o visionário Barão de Mauá, criador de estradas de ferro, estaleiros e do Banco do Brasil, dentre tantas outras iniciativas geniais: não comemoramos o seu nascimento, não divulgamos a sua história e muito menos estudamos no primário as lições ensinadas. Em um país com cada vez menos vagas de emprego formais, atrasado e com baixa educação, ter o próprio negócio e buscar o lucro precisa ser encarado como uma estratégia interessante para a nossa juventude.

É notório que, numa visão de modernidade versus o atraso que vivemos enquanto nação, o país não faz seu dever de casa. Burocracia, carga pesada de impostos, crédito inacessível e infra-estrutura cheia de gargalos dão o panorama que levaremos ainda muitos anos para mudarmos o quadro nacional. Em tempos de competição global, somos o 40º no ranking de mundial de inovação feito pelo INSEAD. Isso é grave.

Na base de tudo está o maior desafio que temos pela frente: o da educação. Em todos os níveis, do básico à pós-graduação, da pesquisa básica à corrida científica, há um abismo com raras ilhas de excelência brigando pela sobrevivência. Sem um modelo educacional forte e aliado à formação do cidadão que tenha no mínimo condições de observar o mundo que o cerca e pensar para qual rumo vai guiar sua vida, não há condições de falarmos em um país do futuro.

Para os que conseguem chegar à uma Universidade, 8 a 10% da nossa população, o que o futuro lhes reserva? Uma dura perspectiva de não acharem empregos na forma pura para a qual as suas opções de curso superior foram concebidas. Publicidade, Direito, Odontologia, Medicina, Contabilidade e até mesmo Administração formam profissionais que terão disponíveis algo em torno de 1 a 2% de vagas de emprego na iniciativa privada disponíveis em relação ao número de pessoas que se formam todos os anos. Só em Brasília, que possui mais de 100 faculdades, são colocados no mercado de trabalho mais de 3.500 alunos formados em publicidade e propaganda, sendo que as mais de 300 agências e veículos de comunicação abrem algo em torno de 40 vagas por ano. Para onde vão os outros alunos? Concursos públicos, atuação em outras áreas correlatas do mercado com subempregos e salários de fome. A maioria fica desempregada e, não enxergando alternativas, vão tentar a sorte montando seu primeiro negócio com apoio da família, quando há. Mas sem base nenhuma, sem apoio formal, com quase nada de planejamento, acabam aumentando as estatísticas de mortalidade empresarial nos primeiros cinco anos.

Empreender não pode ser uma atividade desesperada, pois o risco de um negócio por si só, se bem planejado, já é muito alto, sem falar nas variações de humor nos mercados, na concorrência e na necessidade constante de inovação.

Nossas instituições de ensino superior, com raras exceções, não estão dando a formação e orientação necessária. E o Governo muito menos. Não cria condições para facilitar, por exemplo, a abertura de empresas de acesso ao crédito para o start-up do negócio. Segundo pesquisas, 70% dos jovens que ingressam na universidade desejam ter seu próprio negócio ao se formarem, mas somente 3% conseguem. E o pior, não conseguiram praticar quase nada do que é a realidade da profissão durante os quatro ou cinco anos que estiveram se preparando para o mercado de trabalho, que também não encontra na grande maioria dos estudantes o mínimo da “empregabilidade” necessária.

Inspirar, criar e evoluir por meio do Núcleo do Talento Empreendedor - NTE, um pólo que tanto dará a educação empresarial quanto promoverá o acesso ao crédito e, por meio do GDF, viabilizar a abertura das empresas para jovens universitários. Uma grade curricular ofertada pelo SEBRAE, com metodologias consagradas mundialmente como o EMPRETEC, além de mais de 50 cursos on-line estarão disponíveis a valores subsidiados. E, por meio da Associação dos Jovens Empresários do DF, entidade que no DF representa mais de 800 empresas, novas empresas terão acesso ao mercado consumidor e a estágio práticos, chamados de núcleos de práticas empresariais. Esta é a proposta da AJE/DF, em parceria com o SEBRAE/DF, para a juventude do DF.

Com início em fevereiro de 2008, o NTE pretende inspirar mais de 20.000 jovens, formar 150 candidatos a empresários e buscará lançar no mercado 20 empresas sadias e competitivas por ano. No mínimo, aumentar as chances do universitário conseguir emprego, adotando uma postura proativa e com o conhecimento de como funcionam as empresas na prática.

Só contamos aqui algumas das muitas vantagens e ações que o NTE tem a oferecer. E convidamos você a apoiar esta iniciativa. Esta pode ser a semente de um Brasil melhor.

* Paulo Roberto Moura é empresário do ramo de Tecnologia da Informação e presidente da Associação dos Jovens Empresários do DF – AJE/DF

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