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Québec vota disposto a romper bipartidarismo
entre liberais e soberanistas

 

Julio César Rivas Toronto (Canadá), 26 mar (EFE).- Pela primeira vez em 100 anos as eleições realizadas hoje pela província do Québec se transformaram em uma corrida de três grupos, onde os eleitores puderam romper o bipartidarismo tradicional entre federalistas e separatistas.

Aproximadamente 5,5 milhões de cidadãos da província estão convocados para participar hoje nas eleições que elegerão os 125 deputados do Parlamento provincial, a Assembléia Nacional, e, pela primeira vez em quase um século, o eleitorado tem três opções reais para escolher.

As últimas pesquisas divulgadas durante o fim de semana indicavam que a eleição se transformou em uma acirrada corrida entre os dois partidos tradicionais, o Partido Liberal de Québec (PLQ) e o Partido Quebequense (PQ), e a Ação Democrática do Québec (ADQ).

O ADQ e seu líder, Mario Dumont, conseguiram romper o monopólio que os federalistas liberais e os independentistas do PQ vem mantendo há mais de 20 anos graças ao acúmulo de descontentes com as políticas das duas legendas.

Inspirado por um conservadorismo nacionalista, o ADQ conseguiu prender a atenção do eleitorado de 25 a 44 anos, em sua maioria profissionais de classe média que estão cansados das eternas promessas de um novo referendo independentista do PQ, mas que também não compartilham o federalismo do PLQ.

Mas Dumont também conseguiu aumentar seus partidários nas regiões rurais de Québec, um dos redutos eleitorais do movimento soberanista da província, com políticas conservadoras como a rejeição em acomodar a sociedade de Québec aos usos de minorias religiosas como a crescente população muçulmana.

Dumont, de 36 anos, disse hoje ao depositar seu voto que esperava que as eleições se transformassem em "um momento de transformação" para a sociedade do Québec, marcando o início de uma nova era política na província.

A maioria dos analistas concorda que as eleições de hoje darão vez a uma fase de dúvida diante da quase certeza de que o partido que ganhar as eleições não contará com a maioria absoluta na Assembléia Nacional e será obrigado a governar em minoria.

Dumont, que se classifica mais como um "autonomista" que como um soberanista, afirmou que seus deputados não servirão para que o segundo partido em votos governe a província, e que não está disposto a apoiar um terceiro referendo nacionalista (os dois anteriores foram realizados em 1980 e em 1995) como assegurou o líder do PLQ, Andre Boisclair.

Mas as intenções do líder do ADQ podem mudar rapidamente diante da realidade política na região.

Está prevista para maio a publicação de um relatório sobre o referendo de 1995, que os separatistas perderam por poucos décimos, no qual é provável que se acuse os federalistas de terem desrespeitado as regras sobre o financiamento da campanha do Não.

As acusações já estão reunidas no livro "Les Secrets d'Option Canada", mas a confirmação em um relatório oficial dos "truques sujos" dos federalistas pode acender o sentimento nacionalista entre muitos dos partidários de Dumont.

A incerteza do Québec já começou a influir no restante do país.

A moeda canadense perdeu hoje parte de seu valor em relação ao dólar diante do temor dos investidores de que a eleição de hoje signifique a derrota do primeiro-ministro provincial, Jean Charest, e o retorno do PLQ ao poder. EFE jcr pk/ma

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