Brasília
- Setembro é um mês definitivo no panorama
político. Outubro é o mês definitivo
no panorama econômico. Explico. Os que desejam concorrer
às prefeituras nas eleições do próximo
ano poderão trocar de partido até setembro.
Ou então, terão que permanecer exatamente
onde estão.
E
novembro é o mês que a proposta que prorroga
a cobrança da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF) chega
ao Senado. No Senado, afirmam todas as vozes da análise
política brasileira, o governo terá uma dificuldade
colossal para aprovar a matéria.
É
que por coincidência o Senado vive uma convulsão
institucional jamais experimentada. E além do mais,
lá, o governo não conta com a generosa maioria
que dispõe na Câmara.
Qualquer
povo, principalmente o brasileiro, só sente na alma
quando a discussão chega ao bolso. Antes disso, o
tema perde a sua densidade, a sua importância. Até
porque já existe uma imagem bem sólida do
político patrício no imaginário coletivo.
E olhem que alguns até tentaram mudar essa concepção...
Um
dos que tentou enxertar uma nova imagem do Parlamento nas
conversas de boteco foi o atual presidente da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Assim que se elegeu
presidente da instituição, um dos sustentáculos
do legislativo, ele decidiu colocar os deputados para trabalharem
nas segundas-feiras. Consegui por um mês. Porém,
foi vencido pela tradição que existe no Congresso
de só trabalhar de terça à quinta.
Essa
conversa de troca-troca partidário chama a atenção,
mas não é capaz de se converter em discussões
mais longas. Assim como a semana de três dias no Congresso,
a infidelidade partidária é outra de nossas
mais profundas tradições políticas.
No
entanto, a CPMF provoca o interesse mais sincero por parte
de toda a sociedade. Qualquer cidadão que movimente
seu dinheirinho se interessa em saber qual será o
rumo dessa proposta. Caso o Congresso não aprove
a prorrogação da cobrança do imposto,
ele acaba no final do ano e o governo federal deixará
de arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano.
Como
todo e qualquer governante, o petista não abre mão
dessa bagatela e diz que o dinheiro da CPMF é mais
do que necessário. O petista conclama aos quatro
ventos que a economia brasileira nunca esteve tão
bem, que nossas reservas são a mais consistente garantia
de tranqüilidade; mas defende até a morte o
imposto.
Argumentos
para defendê-lo vão do equilíbrio fiscal
passando pelo financiamento de programas sociais. Já
a oposição acha que o governo já arrecada
demais e que a situação do país clama
pela redução da carga tributária (nome
dado a quantidade de imposto que pagamos).
Infidelidade
partidária, troca-troca de partido, “inchaço”
repentino de partido da base aliada do governo. Nada mais
natural em se tratando de política brasileira. A
imprensa até fala a respeito, mas apenas a efeito
de registro, sem maiores pretensões de mudança.
Já
em se tratando da possibilidade de se acabar com um imposto
malvado, todas as atenções se voltam para
o caso. Afinal, mexeu no bolso, mexeu na alma.
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