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Rodolfo Torres

O cinema permite a vida

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

26/02/07

Rodolfo Torres Brasília - O ano finalmente vai começar no Brasil. Com o fim do Carnaval, resta apenas aceitar que 2007 já está aí e o jeito é ver o que faremos com ele. Não existe mais nenhuma possibilidade de adiar o começo do calendário, que já vai retirar nesta semana a sua segunda folha.

Porém, antes do ano começar para valer no Brasil, temos a cerimônia do Oscar. Bom, vamos falar um pouco de cinema, que é uma arte urbana e cada vez mais contemporânea, no que se refere à solidão e ao modo industrial de ser feito.

Não existe possibilidade de se falar a respeito da sétima arte sem dizer que o cinema no dia de domingo é uma instituição, ou deveria ser, para os que procuram fugir um pouco do seu pobre mundo, do seu mundo limitado e sem possibilidade de fuga, de um mundo sempre triste.

O domingo não é um dia feliz. É um dia que pede para ser esquecido. Então, esqueçamos deste dia no cinema, na sala mágica que nos leva a outros mundos, e que faz com que esta viagem permita que a nossa vida tenha um pouco de magia.

Dois dos últimos filmes que vi merecem ser vistos. O clássico Rocky Balboa, como todos os outros da série, é mal feito. Deliciosamente mal feito. Mal feito do jeito célebre de Stallone. O filme que mais vi na vida foi o Rocky 3. Nas férias do colégia, não tinha o que fazer e nem para onde ir. Ficava em casa assitindo Rocky.

Os treinamentos do lutador da Filadélfia para os confrontos são a comprovação de que o cinema sempre é capaz de emocionar quantas vezes necessário o mesmo telespectador. Nesse sábado, enquanto ia a um bar comemorar o aniversário do pai de um amigo, pensava nos treinamentos de Rocky Balboa nesse último filme da série.

Daí vem uma vontade danada de declarar que Stallone, além de excelente ator, é um diretor primoroso. E ele é. Do seu jeito, mas é. O outro filme que vi, e que vi ontem, foi o Borat, “o segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão”.

O que posso dizer em relação ao Borat, na minha condição de crítico amador, é que qualquer produção cinematográfica que critica os Estados Unidos com humor é bem-vinda. O humor, no caso do Borat, chega a ser violento por ser politicamente incorreto demais. Mas é um filme que precisa ser visto.

E os Estados Unidos, tendo a plena ciência de que o mundo não o vê com bons olhos, principalmente após o Iraque, produz sem o menor problema os seus críticos cinematográficos: Michel Moore, Borat, até mesmo o ex-vice presidente Al Gore.

O fato é que quando se fala em cinema, falamos, sem querer proclamar o óbvio, de um território dominado pelos Estados Unidos (apenas para variar). O cinema, que é uma indústria, e que é capaz de nos transportar por duas horas para outras vidas, é o que ainda torna a vida possível

PS: como vai a fabulosa Nacional Film Board?