Brasília
- A CBF (Confederação Brasileira de Futebol)
conseguiu enterrar uma CPI no Congresso Nacional que investigaria
se o futebol seria palco de um esquema colossal de lavagem
de dinheiro, crimes contra a ordem tributária nacional,
entre outras mazelas. Ao menos dois parlamentares afirmam
isso categoricamente: o deputado Silvio Torres (PSDB-SP)
e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Dizer
que o futebol manda no Brasil é apenas proferir o
óbvio. Não é por acaso que o esporte
conta com uma cobertura intensiva e diária da imprensa.
Apenas as cifras que o futebol brasileiro movimenta são
maiores do que o PIB (Produto Interno Bruto) de centenas
de países. Nada mais natural do que uma atividade
como essa detenha uma influência política devastadora.
Eis uma verdade indiscutível: no Brasil, a única
fidelidade respeitada é a clubística.
Há
quem diga que a CPI do Corinthians, que seria formada por
deputados e senadores, será aberta apenas no Senado
depois que diversos deputados retiraram suas assinaturas,
fazendo com que o número mínimo não
fosse alcançado. Isso ocorre porque na Câmara
o governo possui maioria esmagadora e controla os movimentos
daquela Casa com mais facilidade.
No
Senado, a situação é um pouco mais
difícil. No entanto, as dificuldades por lá
não são as maiores do mundo e o governo, de
um jeito ou de outro, consegue fazer valer a sua vontade.
No momento os senadores discutem, por exemplo, se a CPMF
(Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira) deve continuar até 2011. O PSDB, partido
que criou o imposto e que será decisivo para a sua
sobrevida, considerou a proposta do governo “insatisfatória”
e prometeu votar contra mais quatro anos de imposto do cheque.
Cabe
dizer que o governo ofereceu isentar da cobrança
da CPMF os que ganham até R$ 3.430. Agora, os tucanos
resolveram vestir a carapuça de oposição
e dizem que vão votar contra a CPMF. Já o
PMDB vai apoiar a continuidade do maior fetiche tributário
do momento. E, como sempre, o PMDB conta com os seus “rebeldes”,
ou seja, aquela que vão contra a orientação
do partido.
O
fato é que seja CPI do Corinthians, CPMF, ou qualquer
outra matéria que venha a ser apreciada pelo Senado;
o Planalto tem as suas estratégias para fazer prevalecer
a sua orientação. Um exemplo bem prático
é aquele relatório da CPI do Apagão
Aéreo. O documento elaborado pelo relator da comissão,
senador Demóstenes Torres (DEM-GO), pedia o indiciamento
de mais de vinte pessoas, entre elas o de um deputado petista
que foi presidente da Infraero (estatal que administra os
aeroportos do país).
Segundo
Demóstenes, “uma quadrilha desviou, no mínimo,
R$ 500 milhões da estatal”. Contudo, os governistas
derrubaram o relatório do parlamentar goiano e aprovaram
um texto paralelo. E tudo ficou de bom tamanho para o pessoal
da base aliada do governo.
O
que podemos concluir disso tudo? Teremos a CPMF por mais
quatro anos – apesar de toda a “resistência”
da oposição – e, se tivermos CPI do
Corinthians, ela não vai produzir nada de concreto.
Afinal, a CBF está mais poderosa do que nunca depois
que o Brasil foi confirmado o país sede da Copa de
2014. Sem falar que, CPI que é CPI, não chega
a resultado nenhum.
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