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Rodolfo Torres

Com CPMF e sem CPI do Corinthians

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

12/11/07

Rodolfo TorresBrasília - A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) conseguiu enterrar uma CPI no Congresso Nacional que investigaria se o futebol seria palco de um esquema colossal de lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária nacional, entre outras mazelas. Ao menos dois parlamentares afirmam isso categoricamente: o deputado Silvio Torres (PSDB-SP) e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

Dizer que o futebol manda no Brasil é apenas proferir o óbvio. Não é por acaso que o esporte conta com uma cobertura intensiva e diária da imprensa. Apenas as cifras que o futebol brasileiro movimenta são maiores do que o PIB (Produto Interno Bruto) de centenas de países. Nada mais natural do que uma atividade como essa detenha uma influência política devastadora. Eis uma verdade indiscutível: no Brasil, a única fidelidade respeitada é a clubística.

Há quem diga que a CPI do Corinthians, que seria formada por deputados e senadores, será aberta apenas no Senado depois que diversos deputados retiraram suas assinaturas, fazendo com que o número mínimo não fosse alcançado. Isso ocorre porque na Câmara o governo possui maioria esmagadora e controla os movimentos daquela Casa com mais facilidade.

No Senado, a situação é um pouco mais difícil. No entanto, as dificuldades por lá não são as maiores do mundo e o governo, de um jeito ou de outro, consegue fazer valer a sua vontade. No momento os senadores discutem, por exemplo, se a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) deve continuar até 2011. O PSDB, partido que criou o imposto e que será decisivo para a sua sobrevida, considerou a proposta do governo “insatisfatória” e prometeu votar contra mais quatro anos de imposto do cheque.

Cabe dizer que o governo ofereceu isentar da cobrança da CPMF os que ganham até R$ 3.430. Agora, os tucanos resolveram vestir a carapuça de oposição e dizem que vão votar contra a CPMF. Já o PMDB vai apoiar a continuidade do maior fetiche tributário do momento. E, como sempre, o PMDB conta com os seus “rebeldes”, ou seja, aquela que vão contra a orientação do partido.

O fato é que seja CPI do Corinthians, CPMF, ou qualquer outra matéria que venha a ser apreciada pelo Senado; o Planalto tem as suas estratégias para fazer prevalecer a sua orientação. Um exemplo bem prático é aquele relatório da CPI do Apagão Aéreo. O documento elaborado pelo relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), pedia o indiciamento de mais de vinte pessoas, entre elas o de um deputado petista que foi presidente da Infraero (estatal que administra os aeroportos do país).

Segundo Demóstenes, “uma quadrilha desviou, no mínimo, R$ 500 milhões da estatal”. Contudo, os governistas derrubaram o relatório do parlamentar goiano e aprovaram um texto paralelo. E tudo ficou de bom tamanho para o pessoal da base aliada do governo.

O que podemos concluir disso tudo? Teremos a CPMF por mais quatro anos – apesar de toda a “resistência” da oposição – e, se tivermos CPI do Corinthians, ela não vai produzir nada de concreto. Afinal, a CBF está mais poderosa do que nunca depois que o Brasil foi confirmado o país sede da Copa de 2014. Sem falar que, CPI que é CPI, não chega a resultado nenhum.

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