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Rodolfo Torres

CPI precisa de atenção de carinho

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


23/07/07

Rodolfo TorresBrasília - O acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas serviu para que duas comissões parlamentares de inquérito, que tratam do mesmíssimo assunto, retornassem ao noticiário. Tanto a CPI da Câmara quanto a do Senado não despertavam mais o menor interesse e estavam caindo no esquecimento coletivo.

Contudo, as novas mortes, incluindo a do líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS), ressuscitaram uma comissão destinada ao ostracismo absoluto.

Tanta impresa novamente no caso fez com que a CPI da Câmara se reunisse numa sexta-feira, em pleno recesso parlamentar, para votar requerimentos e convocações. Estava tudo caminhando para que, finalmente, as TVs noticiassem o trabalho da comissão à exaustão. Contudo, na mesma sexta em que a CPI da Câmara se reuniu, ninguém menos do que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morre.

Então, grade parte do noticiário teve que ser reservada para a biografia do polêmico parlamentar. Além de ACM, um outro parlamentar também morreu na última sexta, Nélio Dias (RN), presidente do PP.

Atualmente, a mídia se debruça sobre as causas do acidente. Se foi problema de falha mecânica – hipótese que fez com que o assessor especial de Lula Maço Aurélio Garcia comemorar com um gesto um tanto quanto vulgar; se foi falha humana, se foi falha do governo.

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, três dias após o maior desastre de nossa aviação, o presidente Lula se solidarizou com amigos e familiares das vítimas da tragédia de Congonhas, pediu serenidade à população neste momento difícil e anunciou a intenção de promover mudanças no aeroporto brasileiro mais movimentado.

Em relação à Brasília, podemos dizer que graças aos integrantes da CPI do Apagão Aéreo, que ficou esquecida duas semanas após a sua criação até o acidente de Congonhas, o Congresso Nacional terá a sua fatia no noticiário televisivo noturno.

Nesta semana teremos alguns depoimentos na comissão, entre eles o do presidente da TAM. E é claro que, desta vez, a CPI terá a cobertura que tanto desejou. Mas como nada é tão favorável assim para esta comissão, em pouco contaremos mais uma vez com o caso Renan; com o caso do recém empossado senador Gim Argello (suspeito de envolvimento em diversos escândalos de corrupção); reforma política; etc.

Especialistas afirmam que o laudo definitivo sobre o que provocou o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas só sairá em, no mínimo, dez meses. Mas até lá, muita conversa sobre o ocorrido fará com que percamos, mais uma vez, o interesse.

Não sei se seria injusto dizer que os brasileiros são capazes de esquecer coletivamente as suas piores dores numa velocidade surpreendente. Pode até parecer conversa de antropólogo, mas teimo em achar que a validade de nossas maiores revoltas é tão longa quanto a validade de um iogurte.

Quem sabe estou sendo injusto e a morte trágica de quase 400 pessoas em um espaço de dez meses faça com que repensemos nossas formas de lidar com tanto sofrimento e descaso. Sinceramente, espero estar errado. Da mesma forma também espero que o interesse sobre a CPI do Apagão Aéreo não seja consumido imediatamente e faça com que dentro de quatro semanas a comissão parlamentar volte ao seu estado de abandono de nossas atenções. Confesso que espero estar enganado. Mas creio sinceramente que não estou.

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