Brasília
- "Existem
momentos na vida em que a única alternativa possível
é perder o controle", assim afirma Paulo Coelho
em seu livro “Brida”. Este escritor brasileiro,
que já ganhou tantos prêmios internacionais,
que é lido na cabeceira por personalidades mundiais,
que mostrou ao planeta que o Brasil também é
capaz de produzir algo de positivo além de jogadores
de futebol, grupos musicais, e artistas de modo em geral;
não é apreciado pela crítica brasileira.
Aliás,
o sucesso de um brasileiro, principalmente no exterior,
chega a ser uma espécie de crime contra a pátria.
O que me parece é que quem consegue sucesso fora
do país está traindo a nação
que foi planejada para que seus filhos não prosperassem.
Outro
exemplo de injustiçado da nossa crítica é
o ator Rodrigo Santoro. Quantos e quantos parágrafos
escritos em português para depreciá-lo. Gostaria
de saber qual o ator que, com a pouca idade de Santoro,
conseguiu espaço na selva que é o mercado
cênico dos Estados Unidos?
A
crítica brasileira é um caso muito interessante.
No Brasil, é proibido elogiar publicamente a revista
Veja. Apesar de ser a mais lida, a mais influente, a mais
debatida e, nos tempos de Lula presidente, a que mais critica
a administração federal (o que é uma
prerrogativa de qualquer democracia) – ninguém
pode falar bem da Veja.
Claro
que qualquer publicação tem os seus pecados,
assim como todos nós. Imprensa sem pecado é
a mesma coisa de um bar sem bebidas alcoólicas. Mas
por que razão a mais importante revista brasileira
é tida em alguns meios até consideravelmente
instruídos como uma publicação que
não merece o devido respeito?
A
minha teoria é bastante simples: inveja. Se a Veja
oferecesse apenas dois centímetros quadrados de rodapé
de página para qualquer um de seus críticos
mais ferrenhos, tenho a mais plena certeza de que no mínimo
90% deles aceitariam sem pestanejar.
A
Veja só não foi maior do que o carisma do
presidente Lula durante o escândalo do mensalão.
E ai temos que admitir que qualquer presidente brasileiro
seria enxotado do trono se recebesse 30% das pancadas que
Lula agüentou durante o ano de 2005. Eis um caso para
a sociologia e a historiografia da imprensa brasileira:
Lula venceu Veja durante a crise do mensalão.
Creio
que não seria demais afirmar que por conta de uma
reportagem da revista Veja, que revelou um suposto pagamento
de pensão de um senador feito por um funcionário
de uma construtora, o Conselho de Ética do Senado
foi criado. A publicação também alerta
semanalmente a respeito de uma TV Pública que o governo
brasileiro pretende criar, além, é claro,
de criticar com veemência aquele pensamento bastante
difundido (inclusive pelo petismo) no Brasil: os Estados
Unidos são o nosso maior inimigo.
Não.
Os americanos não são nossos inimigos. O Brasil,
inclusive, só progrediu materialmente nos últimos
anos porque adotou o comportamento dos Estados Unidos em
relação à economia.
Veja
defende o liberalismo, que deve ser defendido, sem maiores
pudores. E por conta disso é criticada por parte
de nossa “inteligência” com a violência
reservada apenas aos primeiros lugares.
Prefiro
milhares de vezes o liberalismo ao senhor Hugo Chávez,
que fecha emissoras de TV, que chama o nosso Parlamento
de “papagaio”, que desmerece qualquer crítica
contrária ao seu governo. Quem dera se o Congresso
Nacional do Brasil fosse tão afinado ao Congresso
americano, no sentido de agilizar reformas indispensáveis
ao país, de promover a redução dos
impostos, a ampliação dos investimentos, e
as condições necessárias para o crescimento
de nossa tão sofrível economia.
Quem
dera se o Congresso brasileiro estivesse pousado no ombro
esquerdo do Parlamento dos Estados Unidos. Quem dera...
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