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Rodolfo Torres

Elogio ao sucesso

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


04/06/07

Rodolfo Torres Brasília - "Existem momentos na vida em que a única alternativa possível é perder o controle", assim afirma Paulo Coelho em seu livro “Brida”. Este escritor brasileiro, que já ganhou tantos prêmios internacionais, que é lido na cabeceira por personalidades mundiais, que mostrou ao planeta que o Brasil também é capaz de produzir algo de positivo além de jogadores de futebol, grupos musicais, e artistas de modo em geral; não é apreciado pela crítica brasileira.

Aliás, o sucesso de um brasileiro, principalmente no exterior, chega a ser uma espécie de crime contra a pátria. O que me parece é que quem consegue sucesso fora do país está traindo a nação que foi planejada para que seus filhos não prosperassem.

Outro exemplo de injustiçado da nossa crítica é o ator Rodrigo Santoro. Quantos e quantos parágrafos escritos em português para depreciá-lo. Gostaria de saber qual o ator que, com a pouca idade de Santoro, conseguiu espaço na selva que é o mercado cênico dos Estados Unidos?

A crítica brasileira é um caso muito interessante. No Brasil, é proibido elogiar publicamente a revista Veja. Apesar de ser a mais lida, a mais influente, a mais debatida e, nos tempos de Lula presidente, a que mais critica a administração federal (o que é uma prerrogativa de qualquer democracia) – ninguém pode falar bem da Veja.

Claro que qualquer publicação tem os seus pecados, assim como todos nós. Imprensa sem pecado é a mesma coisa de um bar sem bebidas alcoólicas. Mas por que razão a mais importante revista brasileira é tida em alguns meios até consideravelmente instruídos como uma publicação que não merece o devido respeito?

A minha teoria é bastante simples: inveja. Se a Veja oferecesse apenas dois centímetros quadrados de rodapé de página para qualquer um de seus críticos mais ferrenhos, tenho a mais plena certeza de que no mínimo 90% deles aceitariam sem pestanejar.

A Veja só não foi maior do que o carisma do presidente Lula durante o escândalo do mensalão. E ai temos que admitir que qualquer presidente brasileiro seria enxotado do trono se recebesse 30% das pancadas que Lula agüentou durante o ano de 2005. Eis um caso para a sociologia e a historiografia da imprensa brasileira: Lula venceu Veja durante a crise do mensalão.

Creio que não seria demais afirmar que por conta de uma reportagem da revista Veja, que revelou um suposto pagamento de pensão de um senador feito por um funcionário de uma construtora, o Conselho de Ética do Senado foi criado. A publicação também alerta semanalmente a respeito de uma TV Pública que o governo brasileiro pretende criar, além, é claro, de criticar com veemência aquele pensamento bastante difundido (inclusive pelo petismo) no Brasil: os Estados Unidos são o nosso maior inimigo.

Não. Os americanos não são nossos inimigos. O Brasil, inclusive, só progrediu materialmente nos últimos anos porque adotou o comportamento dos Estados Unidos em relação à economia.

Veja defende o liberalismo, que deve ser defendido, sem maiores pudores. E por conta disso é criticada por parte de nossa “inteligência” com a violência reservada apenas aos primeiros lugares.

Prefiro milhares de vezes o liberalismo ao senhor Hugo Chávez, que fecha emissoras de TV, que chama o nosso Parlamento de “papagaio”, que desmerece qualquer crítica contrária ao seu governo. Quem dera se o Congresso Nacional do Brasil fosse tão afinado ao Congresso americano, no sentido de agilizar reformas indispensáveis ao país, de promover a redução dos impostos, a ampliação dos investimentos, e as condições necessárias para o crescimento de nossa tão sofrível economia.

Quem dera se o Congresso brasileiro estivesse pousado no ombro esquerdo do Parlamento dos Estados Unidos. Quem dera...

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