Bayou Brasil
Bayou Brasil
bayoubrasil.info

Bayou Brasil You Tube

Bayou Brasil
Bayou Brasil
RESTAURANT
BAYOU BRASIL

TV. Sabor a mí
Bayou Brasil You Tube

Rodolfo Torres

Um escândalo insistente

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

26/11/07

Rodolfo TorresBrasília - O mensalão, pagamento de mesada para que o pessoal do Legislativo vote de acordo com as orientações do Executivo, ainda é capaz de estragos consideráveis em nosso país. A prática já está caduca, não é mais nenhuma novidade, mas, vez por outra, aparece alguém disposto a se escandalizar.

O exemplo mais recente é o pedido de afastamento de Walfrido do Mares Guia, então ministro das Relações Institucionais, por causa da denúncia do Ministério Público envolvendo-o no chamado “Mensalão mineiro” – uma espécie de teste do pagamento de propina coordenado pelos petistas, só que iniciado em 1998 pelo PSDB no governo de Eduardo Azeredo, que atualmente é senador.

“Nunca houve mensalão em Minas Gerais. As questões relativas à campanha de 1998 foram questões que não estavam sob minha responsabilidade”, afirmou o tucano.

Walfrido, ex-governador de Minas à época, teria coordenado o pagamento de propina a diversos políticos, entre eles o atual governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Ele, para variar, nega as acusações: “Recebi com profunda indignação a informação de que o Procurador-Geral da República acusou-me perante o Supremo Tribunal Federal por um crime que não cometi e sobre o qual jamais fui ouvido. Nem a Polícia Federal, nem o próprio Procurador deram-me o direito de prestar os esclarecimentos ao longo dos quase dez anos nos quais investigou-se esse assunto”, desabafou o ex-ministro.

Além da semelhança em relação ao modo de operar, o mensalão mineiro também contou com a participação de um sujeito que se tornou bastante conhecido pela crônica política nacional: Marcos Valério. O publicitário já treinava a singela arte de captar recursos para políticos, numa espécie de ponte dos prazeres entre o dinheiro e a lealdade mercenária.

Walfrido, que conta com todo o apoio do presidente Lula, será substituído pelo líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE). Lula fez questão de frisar que mantém “integral confiança na pessoa do ministro que, estou seguro, será inocentado das acusações.”

José Múcio terá agora a difícil tarefa de negociar a aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Senado. A oposição diz que vai votar contra, que o governo não terá os 49 votos necessários para aprovar a matéria, e que os brasileiros finalmente sentirão na pele o significado de uma redução da carga tributária.

Na recente convenção dos tucanos, encontro em que o senador Sérgio Guerra (PE), foi eleito presidente do partido, o PSDB voltou a afirmar que nenhum senador da legenda dará seu voto por mais quatro anos de imposto do cheque. Na ocasião, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para criticar a apologia à ignorância promovida por Lula.

Contudo, o final da história parece bastante previsível. No apagar das luzes do ano legislativo, num momento em que todos estão preocupados com presentes, festividades e dívidas, a CPMF passará no Senado. E, mais uma vez, o brasileiro cumprirá seu destino: pagar imposto.

Alto da página