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Rodolfo Torres

Com a permissão da história

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


27/08/07

Rodolfo TorresBrasília - Não há tema mais urgente a ser discutido num domingo à noite do que aquela tristeza mansa que sempre chega e se faz presente até que todos se conformem com a segunda-feira. E se a tristeza é o carro chefe deste texto, que seja novamente um texto de política.

Se a tristeza realmente é o nosso guia nessas linhas, por que não comentar sobre a possibilidade de um terceiro mandato do presidente do Lula? Ele e os seus defensores estão roucos de repetir que com a democracia não se brinca. No entanto, assim como Fernando Henrique o fez, Lula também pode brincar de mexer na Constituição, tornando assim o terceiro mandato uma possibilidade real.

Todos sabem que as letras da Constituição não são basicamente nosso guia em momentos crucias. A história brasileira mostra que tivemos espasmos de democracia. Getúlio Vargas deu o seu golpe de Estado, assim como os militares.

Sarney, que deveria ter convocado eleições pouco tempo de depois da morte de Tancredo, permaneceu na presidência por cinco anos. Até o presidente Collor deixou o governo por causa de um julgamento político – o que ao pé da letra foi um golpe do povo na democracia (fato é que ele errou na economia, e com essa área não se pode errar).

FHC alterou a constituição permitindo a reeleição. Com base nesse pequenino histórico de nossas instituições, frágeis como os amores eternos, por que então seria demais imaginar que na cabeça dos governistas atuais um terceiro mandato de Lula seria improvável?

Lula sabe que tem capital político para bancar mais um mandato. De acordo com o portal da Globo, o governo distribui dinheiro a ¼ dos brasileiros por meio do Bolsa-Família, principal programa de assistência (ou assistencialismo, como acusam os críticos) do Planalto. Com essa tática, Lula acaba sendo irresistível aos dois pólos da pirâmide social.

Lula tem uma ótima relação com os miseráveis, pois além de sua biografa, ele fala como um homem do povo. Em seus discursos, não é raro o primeiro homem da República exaltar a sua falta de escolaridade. O povo o ama e o defenderá até os limites de sua fé.

Pelo outro lado, os banqueiros também amam o governo do PT. O lucro que os bancos estão alcançando sob a batuta da política econômica petista talvez tenha deixado os banqueiros com a sensação de que deveriam ter apoiado Lula há muito mais tempo.

As cartas estão em cima da mesa, as regras do jogo são mutantes e Lula conta apenas com a crítica da classe média. Aliás, a acuada classe média, que por anos ingressou na perigosa ideologia de não criticar Lula e o petismo, e que agora se vê refém.

O certo é que se Lula vier a trilhar o terceiro mandato consecutivo, estará apenas seguindo uma tradição de desrespeito à Constituição. E desta vez, ao menos desta, ela não poderá dizer o famoso “nunca na história deste país”.

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