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Rodolfo Torres

Mais um “nunca”

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

29/01/07

Rodolfo Torres Brasília - Um dos dizeres favoritos do presidente Lula é algo do tipo: “Nunca na história tivemos um conjunto de fatores tão favoráveis...”. E com esse conjunto de palavras, o presidente pode falar da expectativa de crescimento do PIB, da relação do governo com o Congresso, do combate à fome em escala planetária ou local, e por aí vai.

No lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no último dia 22, Lula também se utilizou dessas palavras para exprimir a sua esperança no crescimento de 5% do PIB brasileiro para 2007. Contudo, a oposição e algumas entidades empresariais não consideram que o programa atinja o efeito desejado. Resta aguardar...

E por falar em “nunca na história”, a TV Câmara, emissora de televisão da Câmara dos Deputados, vai transmitir amanhã, às 11h (horário de Brasília), um encontro inédito. Pela primeira vez na história da República brasileira, teremos um debate televisivo para a presidência da Câmara dos Deputados.

A idéia é do atual presidente da Casa, e candidato à reeleição, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Aldo vai confrontar propostas e idéias com outro candidato da base de sustentação do governo, o petista Arlindo Chinaglia (SP). E como a base do governo está mais uma vez rachada para essa disputa, surgiu uma terceira candidatura há pouco mais de 15 dias: a de Gustavo Fruet (PSDB-PR).

O governo Lula patrocinou um monte de “nunca na história”. Um desses foi a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara. Na ocasião, início de 2005, o governo também contava com dois candidatos para a presidência da Câmara dos Deputados: os petistas Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães (MG).

Com a briga entre os dois governistas, quem acabou levando o terceiro maior cargo da República foi o Severino Cavalcanti, que renunciou ao mandato sete meses depois, para fugir de um processo de cassação. Dizem que Severino cobrava propina de um dono de um restaurante que funciona em um dos anexos da Câmara dos Deputados.

Aldo, Chinaglia e Fruet vão debater propostas polêmicas, entre elas o aumento salarial de 91% que os parlamentares queriam dar a eles próprios no final do ano passado. No entanto, a pressão da sociedade foi tão grande que eles acabaram recuando da idéia naquele instante.

Pela debate promovido pela Folha de S. Paulo na semana passada, teremos uma idéia de como será este confronto. Aldo e Fruet vão se declarar independentes do governo, e dessa forma, teriam uma atuação mais desvinculado do Planalto, que edita medidas provisórias em grande escala.

Do outro, Chinaglia diz que a sua aproximação com o governo fará com que os dois poderes tenham uma maior sintonia, e desta forma, os projetos que precisam sair do papel com maior rapidez terão mais possibilidades de virar realidade.

Bom, para o bem ou para mal, teremos um debate inédito. Já que o Brasil não tem a tradição de discutir o papel do legislativo, poderemos ver como se comportam três parlamentares que buscam o voto de um universo bastante reduzido: os 513 deputados federais. No caso, seriam 511 votos a conquistar, supondo que os candidatos votem em si.

Eis um bom, e inédito, programa para uma segunda de final de verão.