Brasília
- O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso
Nacional, subirá em poucas horas à tribuna
do Senado para explicar uma reportagem da revista Veja ,
que afirma que a pensão de sua filha de três
anos com uma jornalista era paga por um funcionário
de uma construtora.
Ele, que
passou o fim de semana preparado o discurso, vai falar aos
colegas senadores que nunca em sua vida jamais permitiu
que alguém custeasse as suas despesas pessoais. “Nunca
recebi qualquer recurso ilícito ou clandestino de
qualquer empresa ou empresário”, afirma nota
do senador divulgada na última sexta-feira (25).
Renan é
hábil politicamente e saberá dar o seu recado
aos senadores. Na semana passada, o peemedebista afirmou
que não seria contra a investigação
das ligações de empreiteiras e políticos,
desde que todos fossem investigados. O que é um belo
argumento, diga-se de passagem.
Ora, o escândalo
ainda engatinha, ainda não trouxe consigo nem a metade
de todo o seu potencial (há quem diga que existe
com a Polícia Federal uma lista de parlamentares
envolvidos com a construtora Gautama, principal alvo da
Operação Navalha).
Alguns conclamam
a população a ocupar as ruas para exigir decência
em nossas mais sagradas instituições democráticas.
Outros, mais cautelosos, afirmam que o curso responsável
seria o de apurar as denúncias e aguardar a decisão
da Justiça. Também tem aqueles que não
querem nem saber dessa conversa e simplesmente ignoram o
assunto.
Corrupção
é um tema extremamente delicado no Brasil, por ser
familiar demais. Tratamos a corrupção, principalmente
na política, com tédio. Mas vamos com calma.
O Brasil é um país único em vários
aspectos. Por exemplo, qual país tem o nosso potencial
agrícola e conta com a nossa legião de famintos?
Qual país conta com a nossa monstruosa carga tributária
e os nossos péssimos serviços públicos?
Qual país do mundo esquece o Legislativo quando não
existe nenhuma crise política?
O Congresso,
insisto, é a mais transparente das nossas instituições
federais. Podem falar o que quiser. Mas o Parlamento brasileiro,
principalmente a Câmara dos Deputados, é o
que podemos considerar como um exemplo – exemplo dentro
de nossas possibilidades – de instituição
comprometida em se abrir para o povo.
Está
certo que os pecados do Congresso não são
poucos, nem leves. Mas temos que dá um mínimo
desconto... A atual legislatura começou com um inesperado
compromisso com a ética e com a imagem da Casa perante
à sociedade. E eles estão conseguindo mudar
alguma coisa? Ao que parece, só estão aprofundando
a desconfiança do povão em relação
à atividade dos congressistas.
Mas é
isso mesmo. A semana será carregada, com muito falatório
de todos os lados a respeito dos desdobramentos da operação
policial que mudou os rumos da nossa política durante
este ano. Comenta-se até que as votações
neste ano acabaram no Congresso, e que até o final
de 2007 teremos apenas o desenrolar da crise.
Que o bom
Deus nos conduza por mais esta semana de intensos debates
a respeito da corrupção na política,
este tema que provoca náuseas tão familiares
a grande parte de nós.
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