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Rodolfo Torres

Promessa de crescimento

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

22/01/07

Rodolfo Torres Brasília - Dentro de poucas horas, o presidente Lula vai se reunir com ministros, governadores, assessores e palpiteiros em geral para anunciar mais um pacote de medidas que visa o crescimento da economia. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai contar com aproximadamente 50 medidas, e com um orçamento singelo de R$ 80 bilhões.

E por que razão o governo está lançando este tal pacote de incentivo ao crescimento, quando o país inteiro se encontra na beira da praia, com a sua singela cervejinha. Após um primeiro mandato desastroso em diversos aspectos, inclusive no crescimento econômico, o governo agora quer fazer com que a economia reaja e cresça a 5%, até 2010.

Após praticar uma taxa de juros conservadora até para os tucanos, o governo Lula resolve fazer um investimento destes para que os números do PIB não fiquem tão feios para a história. O crescimento econômico, por si só, não é garantia de que as coisas melhorarem para a população. Basta ver o exemplo da China.

Hoje, a moda é ensinar Chinês Mandarim para funcionários de multinacionais e pessoas que pensam em atuar num mercado daqui a uns 15 ou 20 anos. A China não cresce como um país comum. O crescimento de lá é espantoso e constante.

No entanto, para que uma economia como aquela cresça a um ritmo desenfreado como esse, é necessário, entre outras atrocidades, uma coisa muito feia para ainda ser praticada: trabalho escravo. Os produtos chineses inundam os outros países, com um preço bem baixinho, porque o custo para fazê-los se aproxima do zero.

Talvez ninguém se preocupe muito com essa questão, mas por que não existem reportagens na TV que falem do cotidiano dos trabalhadores chineses? O governo da China sabe muito bem o que deve ser e o que não deve ser exposto.

No Brasil também existe o tal do trabalho escravo, que envolve a vocação exportadora do país desde sempre: a agricultura e o extrativismo. Se não me engano, existe até Secretaria Especial, com peso de ministério, que trata especificamente do assunto. No nosso caso, a questão é um pouco diferente. Não temos os bilhões de pessoa que a China tem e não temos a disciplina daquele povo.

Por aqui existe eleição direta para os cargos do Executivo e do Legislativo, no entanto o cidadão é obrigado a votar, sob penalidades previstas em lei como o pagamento de multa, a impossibilidade de sair do país, de assumir cargo público, entre outras agressões. Há quem diga que o modelo de cá é democracia. Eu prefiro outra nomeação.

A experiência mostra que um programa grandioso como este tende ao fracasso. A economia mundial parece que não caminha tão bem em relação aos últimos quatro anos. E quando a economia mundial não vai bem, leia-se economia dos Estados Unidos, o resto desanda.

Um outro fator que revela que o PAC não vai dar muito certo é quantidade de dinheiro público envolvida. Quando o governo pretende investir R$ 80 bilhões, no Brasil, a matemática costuma ser um pouco menos generosa do que as cifras oficiais.

Destes R$ 80 bilhões que o PAC vai utilizar, a nossa velha e conhecida corrupção dará o seu jeito de corroer uns 40% (no mínimo). E se o Brasil não crescer 5% neste ano, é só colocar a culpa em cenários externos desfavoráveis, ou no clima que está enlouquecendo. Mas jamais na própria incapacidade de crescer.

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