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Rodolfo Torres

Revanches

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com

 

19/11/07

Rodolfo TorresBrasília - Duas revanches, uma no futebol e outra na política, esquentarão a semana para os brasileiros. A primeira delas será na quarta-feira (21), em São Paulo, no estádio do Morumbi. O Brasil enfrentará o Uruguai pelas eliminatórias da Copa do Mundo. E, diga-se de passagem, jogar contra essa seleção é sempre uma forma de vingar o final da Copa de 1950, quando perdemos dentro de casa para os vizinhos celestes.

A outra revanche será na quinta-feira (22), no plenário do Senado. Os parlamentares vão decidir se o presidente licenciado do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve perder o mandato. O peemedebista alagoano responde, nesse caso, à acusação de ter usado “laranjas” para comprar empresas de comunicação em Alagoas.

Pelo desempenho de nossa seleção contra os peruanos, podemos começar a nos preocupar. O time não está tão bem e precisa se arrumar muito em campo para que a classificação para mais um mundial seja confirmada. Se a coisa não melhorar, teremos mais uma vez a velha agonia das eliminatórias.

Em relação ao julgamento de Renan, a opinião que mais se ouve é a de que ele vai, mais uma vez, se livrar da perda do mandato. Dizem até que ele já acertou em renunciar à presidência em troca da preservação do cargo de senador da República. No entanto, apesar de a possibilidade disso acontecer ser muito grande, alguma surpresa pode acontecer de última hora.

Renan perdeu muita musculatura política desde que se licenciou da presidência. Os senadores terão a oportunidade de fechar o ano com “chave de ouro”, depois de o Senado passar por sua pior crise institucional já registrada.

Tudo bem, Renan Calheiros é um hábil articulador político e ainda é influente, sabe de muita coisa e pode deixar o Planalto em situação difícil caso decida contar o que sabe, principalmente daquele período do Mensalão.

Mas, diferente do primeiro julgamento, em que era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista, e no qual foi absolvido; desta vez não tenho tanta certeza se Renan vai sair vencedor mais uma vez. Repito que o mais provável é que ele consiga um novo perdão de seus pares. Contudo, como a análise política não sobrevive sem uma generosa dose de “achismo”, volto a ressaltar que a “inocência” de Renan nesse caso não está tão garantida.

Que a seleção brasileira de futebol, uma instituição muitas vezes mais importante do que o Parlamento, não repita o desempenho registrado no magro empate de 1 a 1 com o Peru. E que o Parlamento, uma instituição que passa por uma profunda crise de credibilidade, esteja decidido a tomar a decisão certa em relação a Renan.

Porém, o que mais causa angústia é que, seja no futebol, seja no Congresso, não estamos nem perto de um nível que possa ser classificado como aceitável.

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