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Rodolfo Torres

Sossega Renan

Jornalista rodolfotorres@bayoubrasil.com


09/07/07

Rodolfo TorresBrasília - A semana dos Jogos Pan-Americanos finalmente chegou. E o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viveu durante mais de um mês uma agonia que, ao que tudo indica, deve diminuir a partir dos próximos dias.

Deve estar comprovado em algum lugar que a corrupção não é capaz de sensibilizar o povo brasileiro. O tema “corrupção” não é um Live Earth, não é um Criança Esperança, não é uma campanha para eleger o Cristo Redentor como uma das maravilhas do mundo atual, nem muito menos o velho e amado futebol.

Para o brasileiro, corrupção na política é tão familiar como tomar café com leite no início da manhã. É corriqueiro e dolorido tratar de temas que envolvem tanto dinheiro em um país que sempre esmagou os seus cidadãos com uma combinação nada amistosa: muito imposto e nenhum retorno social.

Brasileiro é gato escaldado em matéria de política. O povo deste país, apesar da pouca escolaridade, conhece as suas limitações e saberá se manter exemplarmente sereno enquanto a indignação contra os políticos é diluída com notícias mais interessantes.

Sem contar que a seleção brasileira de futebol ganhou mais uma vez da seleção chilena, e desta vez com um placar muito mais dilatado do que o do primeiro confronto. Teremos Copa América, Pan-Americano, além do brasileirão. Além disso, ainda teremos a nossa competentíssima imprensa de celebridades que, na minha humilde opinião, é o futuro do jornalismo. Um brinde aos tablóides ingleses...

Já vivemos a era do colunismo social em todas as áreas da informação. O jornalismo político atual, por exemplo, não passaria de um colunismo social com uma pretensa carapuça de intelectualidade. Propostas não são discutidas, apenas aqueles conchavos, aqueles bastidores, aquela conversa de corredor – que é uma delícia para o leitor.

E sejamos honestos: diante de nossa bendita superficialidade, quem teria paciência para se deleitar sobre propostas políticas sérias? É melhor mesmo ficar naquela conversa de bastidor, do disse me disse, e considerar a prática como jornalismo político.

A cada semana, a maior revista do Brasil publica uma nova denúncia contra o presidente do Senado. Entendo que deve fazer um bem danado ao ego dizer aos amigos na confraternização de fim de ano: “Derrubamos o presidente do Senado”.

Mas o povo sabiamente não embarca nestas ondas de ódio estimulado quando o sentimento que toma conta dos noticiários é o dos jogos da Paz. Renan terá um pouco mais de sossego a partir de agora. E que venham os jogos Pan-Americanos. E que tragam consigo, além daquela velha história do exemplo por meio do esporte, muita notícia que não seja de escândalos na política.

O bom sono de um país, principalmente o de muita gente nos mais diversos gabinetes de Brasília, agradece.

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