04/08/07 - Washington
- Os Estados Unidos podem deixar de exigir visto dos
turistas brasileiros. Uma lei assinada pelo presidente
George W. Bush ontem permite que países "amigos
dos Estados Unidos" se candidatem ao programa de
dispensa de visto, que possibilita a determinados cidadãos
permanecerem 90 dias nos EUA, sem necessidade dessa
autorização.
De acordo
com o jornal The Wall Street Journal, o Brasil e outros
11 países - Argentina, Chipre, República
Tcheca, Estônia, Grécia, Israel, Malta,
Eslováquia, Coréia do Sul, Taiwan e Uruguai
- podem se candidatar. O porta-voz do serviço
consular do Departamento de Estado não quis comentar
o assunto, mas afirmou que essa não é
uma lista oficial.
Segundo
levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo,
a lei de "Viagem Segura e Cooperação
Antiterrorismo 2007" - parte de um conjunto de
leis de segurança nacional aprovadas ontem -
flexibiliza as exigências necessárias para
participar do programa de dispensa de visto, como forma
de recompensar aliados dos Estados Unidos. Um dos quesitos
examinados é a cooperação do país
com o governo americano em "atividades antiterrorismo,
compartilhamento de informações e prevenção
de viagem de terroristas". A lei também
tem como objetivo "fortalecer relações
bilaterais".
Hoje,
cidadãos de 27 países não precisam
de visto para entrar nos EUA. Entre essas nações,
estão: Áustria, Austrália, Bélgica,
Brunei, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha,
Irlanda, Itália, Japão, Liechtenstein,
Luxemburgo, Mônaco, Holanda, Nova Zelândia,
Noruega, Portugal, Cingapura, Eslovênia, Espanha,
Suécia, Suíça e Grã-Bretanha.
Novos
critérios
A Secretaria
de Segurança Nacional e o Departamento de Estado
avaliarão se os países adicionais podem
entrar no programa, tendo em vista as exigências
menores constantes da nova lei. Mas uma dos requisitos
é a reciprocidade, ou seja, o Brasil teria de
deixar americanos entrarem no País e permanecerem
por 90 dias, sem necessidade de visto.
A lei
também flexibiliza o requisito de recusa de vistos.
Atualmente, apenas países que têm menos
de 2% dos candidatos a vistos rejeitados podem fazer
parte do programa. Com a nova lei, o limite passa a
ser 10% ou uma taxa de cidadãos do país
que ultrapassam o tempo de permanência nos EUA
permitido por seus vistos - um limite para isso será
determinado posteriormente.
Essas
novas regras permitiriam a países como Brasil
(13,2% dos vistos recusados em 2006 - no caso, seria
enquadrado pelo segundo critério), Argentina
(7%), Turquia (15,4%) e Eslováquia (16%) participarem
do programa americano.
De acordo
com a assessoria do Comitê de Segurança
Nacional da Câmara, o Departamento de Segurança
Nacional e o Departamento de Estado vão avaliar
quais serão os novos países com dispensa
de visto. Os órgãos vão levar em
consideração itens que podem não
contar pontos para o Brasil, como padrões de
segurança nos aeroportos e imigração
ilegal.
Exceção
Mesmo
se o Brasil for aprovado para o programa, não
serão todos os brasileiros que poderão
viajar sem visto para os Estados Unidos. Os cidadãos
que quiserem participar do programa de dispensa de visto
precisarão se inscrever no sistema de autorização
eletrônica de viagem e fornecer informações
exigidas pelo Departamento de Segurança Nacional,
que então determina se a pessoa pode entrar sem
visto no país ou não.
Patrícia
Campos Mello
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